Home office é um sucesso inesperado para os advogados na epidemia

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 Quando perceberam que seria impossível manter a rotina de trabalho nos escritórios, lá pelo começo de março, advogados de todos os cantos do Brasil compartilharam um sentimento muito forte: o medo de que o home office derrubasse a produtividade durante a pandemia da Covid-19. Mais de três meses depois, eles descobriram que o trabalho em casa rende bem mais do que o esperado. E a sensação agora é de alívio.

“A videoconferência tem sido muito útil, muito produtiva, principalmente por causa da possibilidade de espelhamento da tela do computador, sendo possível transmitir informações durante a reunião de maneira rápida”, contou Bruno Romano, sócio do escritório BCOR — Bonaccorso, Cavalcante, Oliveira e Ristow Advogados. “E, particularmente, acho que é uma ferramenta que antes era pouco utilizada, mas agora tende a ganhar muito mais espaço, mesmo após o fim da pandemia, haja vista seus benefícios, como a desnecessidade de deslocamento para reunião presencial e a possibilidade de compartilhamento de informações em tempo real”.

Não é difícil, portanto, imaginar que as videoconferências serão mantidas quando a pandemia passar. A necessidade, afinal de contas, é a mãe da invenção e os advogados perceberam que a comunicação por vídeo não é nenhum “bicho de sete cabeças”.

“Eu tenho mantido contato com pessoal de outros escritórios, com firmas amigas, e senti de todo mundo que o home office está indo bem, melhor do que o esperado. Está sendo uma grande surpresa para mim, o trabalho está fluindo bem, os clientes estão sendo bem atendidos”, revelou Carlos Mello, managing partner do escritório Lefosse.

Nem tudo são flores, no entanto. Um problema apresentado pelo “novo normal” foi a dificuldade para administrar a equipe do escritório, um vez que os companheiros de trabalho não estão mais a poucos metros uns dos outros. Qualquer dúvida, qualquer orientação, coisa que antes era resolvida em segundos, agora exige uma chamada de vídeo que pode “roubar” minutos importantes da jornada de trabalho.

“O gerenciamento das pessoas e o treinamento de pessoal é desafiador sem a proximidade física para o acompanhamento do desenvolvimento da equipe. A divisão do espaço físico auxilia na integração do time e na troca de informações do dia a dia”, disse Tiago Lopes, sócio do escritório Lollato Lopes Rangel Ribeiro (LLRR), que tem unidades em São Paulo, Curitiba e Florianópolis.

Outro problema sério na quarentena é a captação de clientes. Sem o bom e velho “corpo a corpo” das ruas, os advogados têm mais dificuldades para aumentar a clientela. Especialmente aqueles que trabalham como autônomos, sem estarem ligados a um grande escritório. É o caso de Giovanna Wanderley, advogada de Natal.

“Ficou complicado para prospectar novos clientes e fazer networking com outros advogados”, relatou ela. “Sem um contato presencial prévio, algumas pessoas não se dispõem a manter contato somente virtual. No entanto, percebi que poderia atingir um público diverso do que estava acostumada e explorar ainda mais as atividades online e extrajudiciais. Nesse período, consegui estabelecer boas relações no Linkedin, por exemplo”.

Matéria selecionada por Laryssa Abade.

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